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sábado, 12 de novembro de 2011

O Silêncio dos Professores


Por Melquezedeque F. Rosa


            A partir de um olhar geral da funcionalidade da educação, especificamente a educação nas escolas privadas, observamos que nós, professores, de algum modo, fazemos parte duma espécie de enorme complô em favor desse modelo de sociedade em que vivemos. Fazemos isso quando reproduzimos os valores ideais e conservadores dessa sociedade em nossas práticas pedagógicas, em nossas práticas de sala de aula.
         A educação, enquanto processo de elevação da consciência e de reprodução social, assume no terreno da empresa-escola o papel ativo de reproduzir com fidelidade os valores ideais dessa sociedade. O que explica o enaltecimento do individualismo na fala dos professores quando eles dizem: “A vida ta aí, só depende de vocês (alunos), como se a sociedade fosse passiva perante nossas necessidades e interesses; ou quando eles se dizem neutros a questões relacionadas a seus próprios interesses como a luta política por melhores condições de trabalho e salário. Em outras palavras, na escola-empresa, a educação serve como instrumento de adaptação ao sistema capitalista, com a participação efetiva desses professores que contribuem para que a crítica à sociedade ou ao mundo seja substituída pela crítica ao indivíduo,  considerando-o como o único responsável pela própria vida e por tudo que lhe afeta; e assim como o único responsável pela miséria, pela corrupção, pelo desemprego e por toda sorte de males sociais existentes. A sociedade logo passa a ser o reflexo da atitude individual de cada pessoa, ou melhor, a existência passa a ser uma questão de consciência, quando não é.
         Mas, por que esses professores agem assim? Seria por falta de conhecimento? Seria por que não estão nem ai para a vida? Seria por que não há outro caminho? Pessoalmente, me recuso a dizer sim a qualquer uma dessas três últimas perguntas ou a outras similares a elas. Pois para compreendermos a postura desses professores não devemos partir apenas deles mesmos, mas de sua relação com a sociedade em que se situam. A partir dessa relação percebemos que a ideologia dominante, atravessada pelo principio da autoconservação, difunde a idéia de que as coisas são como sempre foram sempre serão. As mudanças só ocorrem em aspectos superficiais, mas em essência os problemas que temos são perenes (ontem, hoje e sempre). Dessa maneira, a sociedade está fadada ao fatalismo histórico de jamais poder ser melhorada; cabe a cada indivíduo fazer sua parte isoladamente para sobressalvar a si próprio na concorrência por seu próprio espaço, por seu próprio lugar ao sol. Sem barulho, e em silêncio.
Essa perspectiva conservadora e pessimista encontra seu grau mais profundo naqueles que munido de uma idéia de vida eterna se desinteressam dos assuntos reais de sua existência humana, substituindo a crítica à sociedade das coisas ou a crítica ao mundo das coisas pela crítica às coisas do mundo ou às coisas da sociedade. Agindo assim e divulgando isso, esses professores acabam arrastando a todos a um caminho de fatal e profunda desesperança na vida nesse mundo, e apontando para a saída dos problemas o mundo noutra vida. Transforma-se assim a vida em coisa banal, e a morte como um possível portal para a felicidade plena. O resto é silêncio, pois não há discussão nem questionamentos. A verdade já vem pronta, acabada.
         Percebe-se, portanto, que os professores agem de toda maneira decorrida acima, não por falta de conhecimento, não por falta de outro caminho, nem tampouco porque não se preocupam com a vida. Mas sim porque a sociedade em que vivemos é atravessada por um conjunto de idéias para sua conservação, e essa ideologia possui um grau de aceitação, consciente ou inconscientemente, por parte desses professores. E eles seguindo, fidedignamente, essa ideologia, estão individualmente preocupados com seu próprio espaço, com seu lugar ao sol e com sua própria salvação para além das coisas desse mundo. Para o mundo dessas coisas só resta um enorme e profundo silêncio.

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